FICHA TÉCNICA
ÁREA DO TERRENO487m²
ÁREA CONSTRUÍDA256m²
ANO DE CONCLUSÃO2018
INTERIORES---
FOTOSMarcelo Donadussi
A Casa D1 nasce da ideia ancestral da segunda-casa: um refúgio destinado ao descanso, ao lazer e aos momentos de desconexão da rotina urbana. Localizada em Atlântida Sul, a residência foi concebida para uma família que buscava um abrigo tranquilo no litoral norte gaúcho, em uma praia que ainda preserva o caráter tradicional de balneário.
A principal característica do projeto está na escolha por uma implantação térrea, tipologia muito comum nas décadas de 70 e 80, mas cada vez mais rara na arquitetura contemporânea.
Essa decisão define a identidade da casa e reforça sua proposta acolhedora, simples e profundamente ligada ao modo despretensioso de viver o litoral.
Uma casa com pouco mais de 250m2 que se espalha pelo terreno de esquina, alinhada com o fundo do lote para privilegiar os espaços para o paisagismo que envolve a residência. Como uma boa casa de praia, o projeto privilegia os espaços de lazer e convívio, que se desenvolvem no living e se prolongam pela ampla varanda. O bloco dos dormitórios está localizado de forma a garantir maior privacidade, enquanto a parte social está em comunicação com a rua.
A solução formal do projeto é marcada pela busca em anemizar a forte insolação oeste da fachada principal. Neste sentido, máscaras de concreto aparente se projetam para além do corpo da casa e delimitam o espaço da varanda, protegendo a casa e suportando os pergolados que filtram a luz, mas não barram completamente sua entrada. Além disso, brises verticais de concreto interrompem a linearidade da esquadria superior que marca o pé-direito duplo do living. O aspecto bruto do concreto aparente estabelece um contraste intencional com a pureza do volume branco do corpo principal da casa. As máscaras vazadas de concreto funcionam com bancadas, assento para leitura, além de emoldurarem a paisagem.
A arquitetura que compõe estes espaços de descanso possui um caráter muito peculiar. O programa da segunda-casa se desdobra para abrigar os sonhos e os desejos de seus proprietários que, na maioria dos casos, não podem ser satisfeitos em suas casas oficiais. Mais do que os espaços construídos possam revelar, a casa de descanso e prazer possui uma forte ligação subjetiva com seus moradores, onde o arquiteto não atua apenas com projetista de um ambiente qualquer, mas de um espaço de sonho, fantasia, fuga e refúgio.
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